Rio Grande do Norte lidera produção de ostras nativas no Brasil

O Rio Grande do Norte se tornou o maior produtor de ostras nativas do Brasil, impulsionado por um modelo de cultivo sustentável que vem transformando a realidade de diversas famílias. Antes dependentes do extrativismo, os produtores agora encontram na ostreicultura uma fonte de renda mais estável e segura.

Transformação na vida dos produtores

Um exemplo dessa mudança é o ostreicultor João Maria Albuquerque, de Canguaretama. Antes, ele dependia exclusivamente do extrativismo e enfrentava dificuldades para garantir um ganho financeiro constante. “No extrativismo, você só pode coletar no dia, e nem sempre encontra ostras suficientes. Agora, com o cultivo, podemos armazenar e vender conforme a demanda”, explica João Maria.

O crescimento da ostreicultura no estado contou com o apoio fundamental do Sebrae. O projeto começou em 2013 com apenas 15 produtores e hoje beneficia 50 famílias em Canguaretama, Tibau do Sul e Senador Georgino Avelino.

Sustentabilidade e crescimento do setor

Segundo Marcelo Medeiros, Analista Técnico do Sebrae, o incentivo visou a capacitação dos extrativistas para a produção sustentável, evitando a degradação dos manguezais. “No passado, ao coletar as ostras no mangue, havia danos ambientais. Hoje, os produtores aprenderam técnicas que garantem a preservação do ecossistema e uma produção eficiente”, afirma.

Essa mudança impactou positivamente a qualidade do produto e a estabilidade financeira dos trabalhadores. Sebastião Bento, presidente da Associação dos Ostreicultores de Canguaretama, destaca os benefícios da nova realidade. “Hoje temos estrutura para armazenar as ostras, garantindo um estoque regular e melhorando os preços ao longo do ano”, comemora.

Desafios da produção

Apesar dos avanços, a ostreicultura exige cuidados contínuos. A ostreicultora Veronice Ferreira explica que a limpeza frequente das ostras é essencial para garantir o crescimento adequado. “Se fosse uma planta, regaríamos. Aqui, limpamos as ostras para retirar a lama que pode matá-las”, detalha.

As condições climáticas também influenciam na produção. Durante períodos chuvosos, a salinidade da água muda, afetando a sobrevivência das ostras e alterando seu sabor. “Elas ficam mais doces e menos saborosas”, explica Veronice.

Crescimento exponencial

Os números mostram a força do setor no estado:

2020: 0,80 toneladas
2021: 25 toneladas
2022: 132 toneladas
2023: 152 toneladas

Com um crescimento exponencial, a ostreicultura potiguar se consolidou como referência nacional. “Hoje, cada produtor tem entre 100 mil e 1 milhão de ostras na água. Antes era uma segunda renda, agora é a principal fonte de sustento”, destaca Marcelo Medeiros.

A expansão do setor trouxe melhorias para os produtores, que passaram a ter melhores condições de vida. “Alguns que antes andavam a pé, hoje já conseguiram comprar um carro”, conclui Medeiros.

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